Com voces ... Valéria Cruz

 

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Amarrotadas,
São as cartas em branco que arrasto com os dentes para fora das entranhas.
Dolorosas,
São as fatias desse coração noturno que se arrebenta por dentro por não saber morrer.
Impiedosas,
São as farpas e vincos das lembranças que embaciam meus olhos por ser tudo e não ter nada.
Imprecisas,
São as poesias de um amor engarrafado envelhecendo no fundo da prateleira sem nunca ter tido a chance de ir ao mar.
As paredes do meu quarto estão se fechando ao serem decoradas com solenes rabisco de insônia,
meus pensamentos voam como aviõezinhos de papel em direção ao nascer do sol.
Acendo o último cigarro com a chama dos olhos e deixo que a fumaça me leve para onde quiser.
Ai de mim que ainda fico me procurando em lugares onde não quero me encontrar...
E o fogo...ah!


O fogo que consuma todo o resto...

V. Cruz

http://ohmito.blogspot.com.br/2014/03/imagem.html

 

 

 



Escrito por Isabel às 17h10
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Toda a manhã
fui a flor
impaciente
por abrir.

Toda a manhã
fui ardor
do sol
no teu telhado.

Toda a manhã
fui ave
inquieta
no teu jardim.

Toda a manhã
fui ave ou sol ou flor
secretamente
ao pé de ti.


Eugénio de Andrade

Para o amor, um banco de praça já basta.
Ou ficar na frente de um portão.
Ou uma xícara de café.
Amor mesmo é um filme de baixo orçamento.

Fabrício Carpinejar

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Ai as almas dos poetas
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São almas de violetas
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“Para mim, o importante em poesia é a qualidade da eternidade que um poema poderá deixar em quem o lê sem a ideia de tempo”

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“A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade”

William Wordsworth

“A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor”

Dámaso Alonso

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.’

Rachel de Queiroz